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Sentimental

Nestes últimos dias, muito se tem falado em Veneza e pelas mais dramáticas razões. Grande parte da cidade está submersa, atingida pelas maiores cheias desde 1966. A famosa Basílica de São Marcos ficou completamente inundada, pondo em perigo todas as obras de arte no seu interior. O Presidente da Câmara de Veneza, Luigi Brugnaro, afirmou na rede social Twitter  que “Veneza está de joelhos!”
A propósito desta calamidade, lembrei-me de um texto que escrevi há alguns anos sobre esta cidade e que hoje reproduzo para si.

 “Conheci Veneza em 1971, através do olhar sensual e filosófico de Visconti, embalada pela música de Mahler, densa e grandiosa, num dos filmes da minha vida. Percorri os seus canais, sentindo-lhes o cheiro, adivinhando-lhes a sujidade e, simultaneamente, não podendo evitar uma atração irresistível pela beleza e sobretudo pela personalidade desta cidade, símbolo do romantismo através dos tempos. Em ‘Morte em Veneza’, Visconti mostra-nos uma Veneza labiríntica, decadente, sentimental, bem afastada dos locais turísticos a que estamos habituados. Num filme em que o ponto fulcral é a fixação pela perfeição e pela beleza, personalizada pelo jovem adolescente por quem o músico se apaixona, que cidade poderia servir melhor essa busca pelo belo que Veneza? Confesso que nunca estive fisicamente em Veneza, mas mesmo que isso nunca venha a acontecer, já a vivi e a senti.”

Texto publicado no livro “Não Me Roubes a Alma” de Inês Santos

  • Reply
    Ana Ribeiro
    19 de Novembro, 2019 at 23:59

    Também nunca lá estive mas lamento muito … Fruto da alteração do clima provocado por muitos países que nem vale a pena mencionar aqui. A Helena sabe muito bem quais são .. Tristeza …

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