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Moda

O poder da moda

Acredito na sustentabilidade, na reutilização e na contenção de gastos supérfluos em roupa e acessórios. Admito, porém, que estas são atitudes cada vez mais difíceis, apesar de já haver marcas a apostarem na reciclagem. No outro dia, vi um blusão de um material que parecia pele, mas que afinal era feito de garrafas de plástico recicladas. Por outro lado, somos constantemente bombardeadas com imagens de desfiles, com vendas online e com influencers a dizerem-nos o que se usa e a apelarem ao consumo. Também é certo que a moda pode ser, de certa forma, uma ferramenta para o empoderamento feminino. Queremos sentir-nos bonitas, confiantes, modernas.
Na minha opinião, é possível seguir tendências sem entrarmos num consumismo desenfreado. Confesso que compro muito menos roupa do que comprava há alguns anos. Penso que, como em tudo, no meio é que está a virtude. Aconselho uma vistoria pelos vossos roupeiros. Tenho a certeza de que, tal como acontece comigo, descobrirão peças que, conjugadas de uma forma diferente, ganharão novas vidas. Ainda há uns dias usei umas botas que comprei há muitos anos em Amsterdão e que foram gabadas como se fossem novas. É a grande vantagem da moda dos dias de hoje: é muito mais democrática. Praticamente tudo se usa, depende é da maneira como complementamos. Uma coisa muito interessante, sobretudo para quem, como eu, já cá anda há uns aninhos, é constatar que, na moda, tudo é cíclico. Aos 20 anos usava sapatos de plataforma e ouvia a minha mãe dizer que também os tinha usado na década de 1940. Agora voltaram a usar-se. As saias rodadas e pelo meio da perna dos anos de 1950 são iguais às dá década de 1980 e estão novamente na moda. Felizmente que há um movimento contemporâneo cada vez mais firme do “comprar com discernimento”. Tentemos, pois, usar mais materiais reciclados e recicláveis, comprar mais vintage, moderar as compras e pensar no que realmente nos faz falta.

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