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Liberdade

Onde mora a liberdade, está ali a minha pátria

Benjamin Franklin

O 25 de Abril de 1974 simboliza, para mim, a Liberdade. Faço parte de uma geração que viveu esta revolução intensamente. Conheci o antese o depois. E garanto-vos: não há nada que pague o viver em Liberdade. Costumo dizer que passámos de um País a preto-e-branco para um País a cores. 

Como atriz, conheci o lado negro do antes: a censura que nos esquartejava os textos e que apenas nos deixava dizer o que não incomodava ou beliscava o regime. Havia autores muito importantes para a nossa cultura que eram, pura e simplesmente, proibidos e perseguidos. 

Como cidadã e, sobretudo, como mulher, o 25 de Abril de 1974 foi absolutamente libertador. As mulheres só tiveram direito de voto universal nas primeiras eleições, em 1975. Quando falo às gerações mais novas de alguns dos “mimos” do Estado Novo em relação às mulheres, aquelas ficam boquiabertas.  

Até ao 25 de Abril, o Código Penal português consagrava os “crimes de honra” como justificados. Resumindo, o marido traído podia matar a mulher por atentado à sua honra masculina. Antes de 1974, as mulheres estavam impedidas de seguir determinadas carreiras. Não podiam candidatar-se a cargos na magistratura, no Ministério Público, nem a outros quadros de funcionárias de justiça e nem mesmo a qualquer cargo diplomático. Os maridos podiam abrir a correspondência das esposas. Estas não podiam viajar sem a autorização escrita dos maridos (legislação alterada em 1969, apenas por causa da emigração). O que fizemos com a liberdade que o 25 de Abril nos deu é discutível. Os erros que se cometeram (sim!) foram muitos. Mas, pelo menos podemos dizer o que pensamos sem estarmos sempre a olhar para trás. Podemos ser donos do nosso próprio destino. E, em relação às mulheres, ninguém nos para.

  • Reply
    Rute
    5 de Maio, 2019 at 20:45

    Viver o 25 de Abril de 1974 deve ter sido uma espécie de Renascimento e acima de tudo que os sonhos podem realizar.se….

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